- [1] Claudia Matos, Acertei no milhar— samba e malandragem no tempo de Getúlio, Rio de Janeiro: Paz e Terra,1982, p. 91.
- [2] Idem, ibidem, p. 92.
- [3] Joaquim Nabuco, O abolicionismo (1883), Rio de Janeiro: BestBolso, 2010, p. 142.
- [4] Idem, ibidem, p. 143, grifo meu.
- [5] Ver Maria Silvia de Carvalho Franco, Homens livres na ordem escravocrata, 3. ed., São Paulo: Kairós, 1983. ^
segunda-feira, 27 de abril de 2026
A PREGUIÇA NA CADÊNCIA DO SAMBA por Maria Rita Kehl - 1
(Heitor dos Prazeres - roda de samba)
O elogio à preguiça tem sido interpretado [...] pela ótica da inatividade corporal e da renúncia ao trabalho alienado como condições necessárias à atividade do pensamento. Para grande parte dos filósofos, o valor da preguiça repousa (repousa?) no fato de ela ser entendida como recusa das atividades produtivas em prol das atividades mais nobres do devaneio e da reflexão. Tal abordagem não leva em consideração a preguiça de pensar, que a meu ver é muito mais frequente e mais grave — penso em Hannah Arendt e seu conceito de “banalidade do mal” — do que a preguiça de se entregar a atividades que exigem esforço físico. O fato é que, entre nós, a imagem que se associa à ideia de preguiça é a do corpo em repouso.
Será, então, apropriado falar de preguiça no caso de uma atividade da qual o corpo participa de maneira tão intensa — canto, ritmo, instrumentos — ou mesmo tão frenética, em alguns modos de dançar e batucar, quanto o samba? De que modo o samba elogia a preguiça?
A preguiça é tema de uma variedade enorme de sambas, desde que o gênero foi batizado como tal, no início do século XX. É verdade que raramente ela aparece com esse nome. A exaltação da preguiça no samba é feita sob o nome de malandragem, boemia, orgia, vadiagem. Não se refere à inação, nem às diversas formas de retirada do mundo (penso em Montaigne e Pascal, por exemplo). A preguiça do sambista não se apresenta nas formas da lassidão, do repouso, da inatividade do corpo. Muito menos como afastamento do mundo — o belo Samba e amor, de Chico Buarque, é uma exceção no gênero, tanto rítmica como temática (“escuto a correria da cidade, que alarde/ e apressa o dia de amanhã/ De madrugada a gente ainda se ama/ e a fábrica começa a buzinar…”). Aqui o sambista, na década de 1970, é um moço de apartamento, que se refugia nos braços da amada enquanto a cidade ferve, muitos metros abaixo de sua cama. Seu elogio à preguiça, embora claramente diferenciado do discurso da malandragem a que vou me referir, mesmo assim presta homenagem ao que se pode chamar de “lugar-comum” do samba carioca: a incompatibilidade entre a atividade do sambista e o trabalho. Essa é a tradição que vou privilegiar nesta conferência. Nos sambas a que me refiro a seguir, a preguiça nunca é nomeada como tal. Ela comparece sob os nomes de orgia, malandragem e boemia, a misturar vadiagem e sociabilidade, bebedeira e trabalho criativo (quantos sambas não foram compostos em parcerias espontâneas, ao longo da madrugada, em mesas de bar?), sensualidade malemolente (bela palavra essa, que já soa preguiçosa) e destreza no domínio de algum instrumento de corda ou percussão.
É uma forma nobre de preguiça em que o corpo se entrega ao ritmo, em que o tempo longo da noite (um turno oposto ao horário da fábrica e do trânsito que buzina, no samba-canção de Chico) transcorre sem peias, sem acenar com a angústia que nos acomete diante do tempo vazio: é um tempo sincopado, marcado pelo ritmo característico do samba. O ritmo confere outra marcação à passagem das horas, diferente da do relógio. O ritmo promove “repetição sem tédio”, como alguém certa vez definiu o rock’n’roll. Sambar, tocar, cantar a noite toda, sem preguiça nenhuma, é uma forma de vadiagem que escapa à polarização atividade /inatividade e, em troca, opõe trabalho a prazer, uso útil do tempo a desperdício inútil das horas que o relógio se esquece de marcar e cuja passagem o corpo não dá sinais de reparar. Preguiçoso, o sambista? Que nada: incansável!
“...pois então saiba que não desejamos mais nada/ à noite a lua prateada/ silenciosa, ouve as nossas canções…”
Cartola, Sala de recepção
“O sol da Vila é triste, samba não assiste/ porque a gente implora/ Sol, pelo amor de Deus não vem agora/ que as morenas vão logo embora...”
Noel Rosa, Feitiço da Vila
O protesto pela chegada do sol, que inaugura o dia de trabalho e encerra a noite de samba e boemia, é comum nas letras dos sambas pelo menos até que a política repressiva do Estado Novo passasse a censurar abertamente o elogio da malandragem e incentivar os compositores a gravar sambas de exaltação à pátria (Ary Barroso) e ao trabalho. O samba Bonde São Januário, de Wilson Batista e Ataulfo Alves (1940), é uma exceção entre os temas recorrentes nas composições de ambos: aqui se escuta um elogio ao trabalho, motivado pela política de incentivo ao tema do “bom crioulo”, ou do “malandro regenerado”, durante o Estado Novo. Segundo Claudia Matos[1], durante o primeiro governo de Getúlio Vargas “abriam-se novos canais de divulgação para os compositores populares, com cachês compensadores”, desde que os sambistas aderissem aos temas incentivados pelo DIP.
“Quem trabalha é que tem razão/ eu digo e não tenho medo de errar/ o bonde São Januário leva mais um operário/ sou eu que vou trabalhar...”
Wilson Batista e Ataulfo Alves
Há quem diga que a primeira versão desse samba era muito diferente: o tal bonde de São Januário “leva mais um otário” para trabalhar. A substituição de otário por operário teria sido feita a pedido do DIP[2]. A título de curiosidade: a palavra otário ressurge numa paródia do mesmo samba que ironiza os torcedores do Vasco da Gama, cujo estádio foi construído naquele bairro: “o bonde São Januário leva um português otário/ pra ver o Vasco apanhar”.
Mas a ditadura Vargas não é o período que pretendo abordar aqui. Quero me concentrar no tema da preguiça, e para isso destacar as duas grandes décadas da origem do samba urbano (carioca), desde meados dos anos 1910 até meados dos anos 1930.
O samba é sociável e ativo. Nunca excluiu de sua roda a companhia da ralé, embora tenha feito um esforço para sair da senzala e alcançar o gosto das classes médias, sobretudo a partir da década de 1920. Mas sua origem é vira-lata. Os primeiros sambistas que se identificavam como tais viviam entre (ou eram) vagabundos, prostitutas e cafetões, cachaceiros e golpistas, gente miúda vivendo de pequenos serviços, de trapaças no jogo ou até mesmo da venda de sambas.
O desprezo pelo trabalho, recorrente nas letras dos primeiros sambas-maxixe (mais adiante explico essa denominação), pode ter duas origens diferentes, porém combinadas. A primeira revela uma ideologia de recusa da servidão, muito compreensível em uma geração de negros e mulatos descendentes de pais ou avós escravos. Lembremos que a escravidão no Brasil só foi abolida, vergonhosamente, no final do século XIX (1888) e que a Lei do Ventre Livre, de 1871, em vez de proporcionar uma vida mais digna aos filhos de africanos nascidos depois do 28 de setembro daquele ano, produziu uma situação anômala na qual os proprietários de escravos não se sentiam no dever de manter junto às mães as crianças “livres”. Estas, a depender da maior ou menor boa vontade de seus senhores, poderiam ter a sorte de ser criadas nas casas e fazendas onde suas mães serviam, livres da escravidão, ou ser abandonadas nas ruas sem nenhuma proteção, nem de parte dos senhores, nem do Estado. Sem acesso à escola ou alguma outra forma de inclusão social, os primeiros menores abandonados no Brasil foram os filhos da chamada “Lei dos Inocentes”.
Outra deformidade social causada pela escravidão foi a situação do trabalhador livre que “não tinha lugar na sociedade, sendo um nômade, um mendigo, e por isso em parte alguma achava ocupação fixa”, escreve Joaquim Nabuco em O abolicionismo[3]. Nas grandes cidades escravocratas, como Salvador e Rio de Janeiro, essas populações deserdadas da ordem social organizavam a vida como podiam, em cortiços e (mais tarde) favelas, criando uma sociabilidade própria, entre ritos religiosos e festas profanas a partir dos restos reprimidos de suas culturas de origem.
Prossigo ainda com Nabuco, no trecho em que o autor afirma a respeito dos escravos que migraram das fazendas para as cidades: “[…] essa população foi, por mais de três séculos, acostumada a considerar o trabalho do campo próprio de escravos. Saída quase toda das senzalas, ela julga aumentar a distância que a separa daqueles, não fazendo livremente o que eles faziam forçados”[4].
Assim se estabeleceram as bases materiais para a compreensão do tema da degradação do valor do trabalho no Brasil do início do século XX. Por um lado, o trabalho era visto pelos mais pobres como um castigo opressivo, por conta do vício e da vergonha do longo período escravagista.
A isso vêm se somar duas situações que em nada contribuíam para valorizar o trabalho: o desemprego em que se encontraram os descendentes de escravos depois da abolição e a degradação do valor do trabalho braçal, pago miseravelmente a uma grande parcela da população que, duas ou três gerações atrás, era forçada a trabalhar sem pagamento nenhum (situação que, devemos reconhecer, persiste em muitas regiões do Brasil até hoje)[5].
“Cocorocó, o galo já cantou/ levanta nego, cativeiro já acabou […].” Assim canta Clementina de Jesus (Cocorocó). A mulher tenta acordar o marido para o trabalho porque o “senhorio” não tem clemência e virá cobrar o aluguel. Mas o homem, negro liberto da escravidão, quer dormir mais um pouco. A vida do trabalhador braçal era (é…) dura demais, e o salário, pequeno.
Sendo assim, Pra que trabalhar? Esse é o título do samba de Wilson Batista, em que o cantor se queixa do salário curto, que nem lhe permite pagar o bonde pra ir à sua escola predileta: “acabou o meu dinheiro e eu vou pro Salgueiro a pé”.
NOTAS:
sábado, 11 de abril de 2026
PROFESSORA DA USP REFLETE SOBRE O USO DO TEMPO NA SOCIEDAE CONTEMPORÂNEA
"PREGUIÇA E ÓCIO CONTRADIZEM A LÓGICA DO ACÚMULO"
Professora de Filosofia da USP, Olgária Matos reflete sobre o uso desacelerado do tempo, e sua aparente incompatibilidade com a sociedade contemporânea
Muito se fala sobre a preguiça, mas, como ocorre a vários verbetes, no uso cotidiano, nunca sabemos se estamos nos referindo ao mesmo conceito, partilhando a mesma ideia. Preguiça é não fazer nada, não produzir? Rende ou não rende frutos? Coincide com ócio? É benéfica ou é “pecado”? Em 2011, no evento Mutações, organizado por Adauto Novaes, a professora de Filosofia da Universidade de São Paulo, Olgária Matos, apresentou uma reflexão sobre o campo conceitual em que se inscreve a preguiça hoje. Olgária, que também assina o prefácio do livro O direito à preguiça, de Paul Lafargue, conversou com a revista Continente sobre a experiência e o uso desacelerado do tempo, e sua aparente incompatibilidade com a sociedade contemporânea.
OLGÁRIA MATOS A preguiça – a priguizia latina –, em seu sentido primordial, diz respeito ao tempo lento, contrário à pressa ou a urgências, como se o presente vivido coincidisse consigo mesmo, um tempo em que qualquer alteração significaria uma perda desse estado de plenitude já realizada. É um tempo também dos retardamentos e da não ação, mais próximo da contemplação, que é a forma suprema da atenção. O ócio, a scholé, era uma temporalidade dedicada “àquelas coisas que merecem que se dedique o tempo”. Por uma miraculosa evolução, veio a significar “escola”, o tempo voltado para a formação do espírito, para os “cuidados de si” com vistas à virtude e à felicidade, à busca da harmonia consigo mesmo e da concórdia na cidade. A preguiça como condenável só veio a ser comparada ao seu simétrico oposto, a atividade desmedida, com o advento da “ética protestante e do espírito do capitalismo” que, em sua fase atual, se realizou com a universalização da ética do novo-rico, para a qual “tempo é dinheiro”, entendido como valor supremo. O novo-rico é aquele que conhece o preço de todas as coisas, mas desconhece o seu valor. Preguiça e ócio, bem como seus corolários, que são todos os saberes não vinculados a resultados materiais – as “humanidades” –, são proscritos. Preguiça e ócio contradizem a lógica do acúmulo, acréscimo e reposição do capital e do mercado consumidor, ligados à aceleração e ao não pensamento.
OLGÁRIA MATOS O preguiçoso vive um tempo pleno de bem-estar e de conforto moral, enfrentando o vazio sem tédio, quer dizer, sem angústia, porque é um tecelão do tempo, exerce a autodeterminação, não espera que de acontecimentos externos, da indústria do entretenimento ao mundo do trabalho pelo trabalho, da ação pela ação, advenha o bem-estar. Um ceticismo mitigado — uma certa afasia, apatia e ataraxia — faz com que o mundo do preguiçoso seja um mundo antiviolência, descente do poder do ser humano de mudar totalmente o curso do mundo por sua simples vontade, mais afeito à “força das coisas”, a tudo que escapa ao poder do homem.
A preguiça é tão constitutiva do homem como a exuberância. Lembre-se de que durante o Terror, na Revolução Francesa, o simples fato de não afetar entusiasmo pela revolução e seus métodos fazia do tímido, por exemplo, um “inimigo da República” e um suspeito punível pela guilhotina. O que se pode pensar é que a preguiça está mais ao lado da “resistência passiva”, do “pacifismo”, da não violência e da reflexão não apressada. Ela seria um “parar para pensar”, face a que o ativismo significaria “parar de pensar” para agir prontamente. Ambos são importantes para a vida social e para a vida do espírito, para o jogo entre a solidão da subjetividade e o rumor da praça pública.
Fonte:
TEXTO: Gianni Paula de Melo
quarta-feira, 1 de abril de 2026
DIREITO À PREGUIÇA (E AO ÓCIO) – PAUL LAFARGUE
Em 1880, Paul Lafargue, publicou no Semanário L’Egalité, o seu DIREITO À PREGUIÇA. Na prisão, em 1883, Lafargue escreveu suas notas ao texto original, com o mesmo brilhantismo e antecipação dos males do trabalho que, ao contrário do que se supõe, proporciona aos produtores diretos e a toda a sociedade.
Lafargue explica por que o trabalho (industrial, assalariado) escraviza e empobrece continuamente os trabalhadores e reduz os homens de forma geral à condição de servos e lhes enfraquece o espírito. Tanto no final do século XIX, como hoje, no século XXI, portanto 140 anos depois do texto de Lafargue, a idiotice da defesa do trabalho como categoria genérica só fez embrutecer mais e mais a humanidade, para não falar dos flagelos e da tirania provocados aos trabalhadores. De fato sem precisar que tipo de trabalho se trata e em que condições jurídicas a sociedade capitalista se organizou para subtrair de forma privada dos assalariados a sua potencialidade de gerar riqueza, a defesa inconteste do trabalho é uma perversidade que encontra na modernidade o respaldo na tirania jurídica-político da produção, imposta pelos proprietários das forças de produção, dos meios de troca e circulação de capitais.
Mas tanto quanto essa idolatria sem sentido, essa irracionalidade que massacra a todos, se fez ícone e foi passada pela ideologia penitente e egoísta dos pastores e dos burgueses, afirmar que o trabalho é a pobreza da humanidade e remete os fazedores sempre para se aviltarem a si nos modos em que produzem para o capital, é uma verdadeira heresia tão detestável a todos quanto o matricídio de Orestes ou o parricídio do Rei Édipo, ainda que os assalariados do capital, descaradamente extorquidos de suas forças físicas e espirituais.
Eis as principais teses de Paul Lafargue (1999) e que são mais pertinentes ao nosso DIREITO AO ÓCIO[1]:
1. Logo que chega ao poder a burguesia leva até os trabalhadores o discurso moral-religioso do “sofrimento”, ainda que no período da Revolução Francesa tivesse condenado essa mesma moral para obter o apoio do povo contra a oligarquia e a igreja;
2. O discurso que enaltece o trabalho condena o trabalhador à condição de máquina “suprimindo suas alegrias e paixões” – o gozo da vida é tão propriedade da classe burguesa como as fábricas;
3. Os gregos da época clássica tinham desprezo pelo trabalho deixando-o para os escravos – “o homem livre só conhecia os exercícios físicos e os jogos da inteligência”; a filosofia de então ensinava a reflexão enquanto o trabalho era o vilão que retirava o tempo e o espaço para o livre pensar, portanto levava o homem a perder sua liberdade;
4. Assim a aceleração da produção imposta pelo “tear” interessa ao patrão na medida em que retira o espaço e o tempo de reflexão do trabalhador; ao mesmo tempo a jornada de trabalho aumenta (mais valor [mais valia] absoluto) como forma de correção do espírito, a fábrica se transforma em casa de correção – o trabalho tiraria os vícios, chamado a “curvar os sentimentos de orgulho e de independência que a preguiça gera”;
5. A classe trabalhadora não consegue se livrar dos “preconceitos semeados pela classe reinante”, tanto que após 1848 (Comuna de Paris) aceitou “como conquista revolucionária a lei que limitava a jornada de trabalho a 12hs diárias”, inclusive para mulheres e crianças; portanto, os próprios trabalhadores aceitam “como um princípio revolucionário, o direito ao trabalho” – de certa forma, todos os pesadelos e flagelos praticados contra os trabalhadores assalariados do capital, ainda hoje, são derivações e prolongamentos econômicos, políticos, legais e culturais, materiais e imateriais, objetivados de uma ideia reinante instalada sub-repticiamente na mente dos indivíduos, qual seja, a ideia fixa inquestionável das propriedades saudáveis e morais do trabalho;
6. Para enriquecerem na ociosidade os proprietários dão trabalho aos pobres; a classe burguesa não quer trabalhar (a ela a moral da ordem e progresso, e do “sofrimento” dos trabalhadores não se aplica), apenas pretende explorar a força de trabalho dos trabalhadores que geram riqueza, “espremer o trabalho que continham” – isto leva a uma superprodução, e às suas crises, pois por mais que os proprietários e seus agregados só consumam sem nada produzirem, ainda assim haverá muito mais mercadorias para serem consumidas, dado que a “penúria dos compradores” é tão grande que não conseguem adquirir o que eles próprios produzem, nem o mínimo para manterem a sua saúde física e mental;
7. Quando os trabalhadores se revoltam contra seus patrões e os gerentes a seu serviço, não deveriam dizer “façam vocês agora o que nós fazemos, venham aqui perto das máquinas, queremos ver se fazem, trabalhem vocês”, mas deveriam dizer “não trabalhamos mais do que 3 a 4hs por dia, e não venham vocês fazerem porque não se precisa, os estoques estão cheios e não tem quem os compre, e se nos pagarem melhor nós mesmos compraremos os vossos estoques, o que nós mesmos produzimos”;
8. Na superprodução os trabalhadores são eles mesmos os primeiros a sofrerem mais reverses da irracionalidade do trabalho: com altos estoques os fabricantes precisam diminuir a produção e dispensam os trabalhadores; a miséria e a fome aumentam, e alguns meses depois esses mesmos trabalhadores voltam às fábricas pedindo trabalho, e aceitam receber menos pelas 12 ou 14hs de trabalho (aumento de mais valor) – diminuem os salários e outros trabalhadores perdem o emprego, até o limite necessário para as máquinas não pararem e até os valores mais aviltantes por hora trabalhada, valores reduzidos ao “mínimo do mínimo” para que a mão de obra não morra e fechem todas as fábricas: a engrenagem do trabalho gira mal, mas gira – como n’A Colônia Penal;
9. Na superprodução as crises não se resolvem: tendo por trás o crédito dos financistas, as dificuldades para vender são enormes, o desemprego e a redução dos salários não promove a venda das mercadorias produzidas aos milhões; os intermediários e especuladores que têm capital para comprar pagam barato e voltam a vender, inundando o mercado, por um preço maior que pagaram, mas menor do que o estoque da fábrica – a fábrica não pode parar de produzir mercadorias porque daí sai o lucro não só do proprietário, mas de todo o comércio e dos rentistas, porque é o trabalho do trabalhador que produz a riqueza; mas então não tem mais mercado e não resta aos fabricantes outra alternativa que destruir as mercadorias estocadas: “lança-se então tanta mercadoria pelas janelas que não se sabe como elas entraram pela porta”;
10. As lutas coloniais, os territórios “apossados”, as escaramuças diplomáticas e as guerras entre os países europeus devem-se à necessidade de possuírem mercados cativos, preferenciais ou de livre trânsito para escoarem-se as mercadorias produzidas pelos trabalhadores extorquidos e miseráveis das fábricas do velho mundo; de certa forma a idolatria sem sentido dos próprios trabalhadores ao trabalho em que são explorados é a causa dos males infligidos aos povos ultramarinos onde as potências industriais desovam seus estoques – os operários poderiam fazer algo importante a respeito disto se exigissem trabalhar apenas 3hs por dia: “tem de se dominar a paixão extravagante dos operários pelo trabalho e obrigá-los a consumir as mercadorias que produzem”; isto não parece ser menos ético e ferir mais a moral do que as motivações coloniais e as guerras, ou produzir compulsória e planejadamente produtos de qualidade sofrível só para que deteriorem rapidamente obrigando os consumidores a voltarem ao mercado e comprarem outros, infinitamente;
11. Pois bem, a máquina deveria libertar o trabalhador do trabalho forçado nas fábricas, da “luxúria” sem propósito do trabalho a não ser para os que enriquecem sem preconceitos ao sofrimento humano e sua deterioração física e mental, mas o operariado, os assalariados do capital de forma geral quiseram disputar a produção com ela, e com isso a superprodução leva a classe dominante para o ócio e os prazeres mais banais, enquanto leva em proporções maiores os trabalhadores e a humanidade para a pobreza, a doença e o desalento; o desemprego galopante desde então é uma forma “precária” de controlar as crises insolúveis de superprodução, simplesmente porque esbarra sempre na falta de consumo capaz de “realizar” os estoques mercantis – o vital era racionalizar essa produção aos bens necessários à dignidade de todos, oferecer formas de distribuir tal riqueza material sem exigir e compelir ideológica e moralmente a humanidade a trabalhar insanamente apenas como propósito de acumulação privada;
12. O desemprego e as consequências de extrema miserabilidade e total degradação humana que ele provoca para milhões de pessoas, e as novas colonizações geoeconômicas mortíferas e genocidas, não parece a nossos olhos mais imoral do que reduzir as jornadas de trabalho ao mínimo que nossa tecnologia e ciência permitem hoje, a criar um sistema global de cooperação que liberte a humanidade do jugo do trabalho econômico desnecessário e despropositado apenas para enriquecer vergonhosamente 1% do Planeta.
É impressionante a atualidade do texto de Paul Lafargue, século e meio antes de nossa época em que são visíveis por todos os lados os sintomas denunciados por ele quanto a esse verdadeiro martírio destruidor das potências humanas, principalmente se considerar-se que o autor apenas possuía a primeira edição do Livro I d’O Capital (Lafargue cita o t. III), publicado ainda em vida por Karl Marx (Marx faleceu em 14 de março de 1883). É que grande parte das teses defendidas por Lafargue em seu Direito à Preguiça e exploradas por nós, estão mais desenvolvidas por Marx no Livro II (1885) e Livro III (1894) d’O Capital, publicadas postumamente por seu amigo e companheiro Friedrich Engels. O próprio Livro I d’O Capital foi posteriormente corrigido por Engels e Eleanor Marx, esta filha mais nova de Marx, sendo considerada a sua versão definitiva a edição alemã de 1893. Pode-se argumentar que o autor teve acesso aos textos de Marx e de Engels anteriores ao O Capital, citadamente os Manuscritos Econômico-filosóficos que Marx escreveu em 1844, mas que só foram publicados em 1932, quase um século mais tarde, e vinte e um anos após a morte de Lafargue!?
A questão limítrofe das teses exemplares defendidas pelo autor em Direito à Preguiça se dá por conta do estádio de desenvolvimento das forças produtivas aplicadas à produção material econômica das sociedades industriais mercantis, produtoras de mercadorias, capitalistas e de livre mercado. Isso em nada retira o brilhantismo e a perspicácia das ideias apresentadas na obra, pelo contrário, ilustra magistralmente como as sociedades capitalistas de livre mercado já no final do século XIX estavam completamente imersas no processo inescusável de uma revolução da produção, e dos valores, compelida pelo desenvolvimento do regime de acumulação privada nos moldes burgueses do capital e da luta de classes. Efetivamente Lafargue, não só pelos exemplos retrativos de sua época na Europa, pelos desdobramentos coloniais inerentes à produção de mercadorias, e às relações entre as classes e frações da classe proprietária, só fez comprovar irrefutavelmente o que o Mundo contemporâneo assiste quanto à luta concorrencial global pelo estabelecimento dos monopólios capitalistas, com as piores consequências e perspectivas para os milhões de desempregados e precarizados hoje.
A diferença é que em nosso tempo todo o processo se verifica através da aplicação pragmática do mais alto desenvolvimento de tecnologias e ciências aplicadas à produção, consumo e financeirização dos mercados. Isto é o ponto nodal do qual o regime de acumulação concorrencial de capital não pode prescindir e se afastar, levando à precarização do trabalho e dos trabalhadores, não tanto pela exploração do mais valor absoluto em larga escala (mais extensiva ao tempo de Lafargue), mas pela maciça substituição de mão de obra por sistemas mecanizados e robotizados (mais valor relativo), alicerçados em tecnologias de comunicação e informação remotas desenvolvidas por poderosos algoritmos e com base em bancos de dados minuciosos e globais.
A precarização que Lafargue revela e denuncia já era pura desumanidade, miséria e morte para os trabalhadores de então, subsumida a inevitabilidade do trabalho, até pelos mesmos, enquanto hoje o que é real e facilmente observável é o fim do trabalho, o incremento do tempo de trabalho disponível, na verdade a inexigibilidade da mão de obra assalariada do capital. É nos limites do desenvolvimento das forças produtivas e da obsolescência do trabalho assalariado do capital que está dada a possibilidade real e objetiva das massas de trabalhadores exigirem riqueza para si, a se dedicarem finalmente ao desenvolvimento de sua potencialidade criativa, artística, como Lafargue (em Marx!) o exigia. E se há um século e meio atrás era tão difícil para os trabalhadores se libertarem do “discurso do trabalho moralizante da burguesia e da igreja”, devido às condições reduzidas da sociedade produzir riqueza material necessária para emancipar o homem de seu “castigo icônico bíblico”, hoje é essa realidade bastante possível e real que movimenta cada vez mais setores, comunidades e movimentos sociais para o seu direito libertador ao ócio criativo.
A registrar que durante a pesquisa e confecção do Direito ao Ócio não recorremos ao texto de Paul Lafargue, embora fosse conhecida sua existência prodigiosa, pois se queria manter a distância necessária a evitar certa contaminação, e comprovar por outros caminhos, e pelos autores contemporâneos pós-estruturalistas, que as teses inerentes ao ”desafio ao trabalho” são consistentes a provar não só o brilhantismo de Lafargue, mas a atualidade deste “desafio”. Só o voltamos a ler para este Prólogo. Lafargue obviamente não precisa de defensores. A pesquisa e o pensamento progressista, esse sim, sempre carece de arejamento, e nada de mais que tal ventilação ainda venha de um texto grandioso como o de Paul Lafargue. Isto demonstra ao menos que o método da Economia Política é imbatível tanto quanto mais o regime do capital se desenvolve no caminho de sua superação.
BIBLIOGRAFIA
LAFARGUE, Paul. O direito à preguiça. São Paulo: Editora Hucitec, 1999.
NOTA:
[1] O texto aqui publicado refere-se ao Prólogo de nosso livro Direito ao Ócio – Desafio ao Trabalho e Nova Cultura, a ser publicado.
Fonte:
Autor: José Manuel de Sacadura Rocha
LavraPalavra
junho 22, 2020
domingo, 5 de janeiro de 2025
DOLCE FAR NIENTE – A DOÇURA DE NÃO FAZER ABSOLUTAMENTE NADA
Você já considerou a possibilidade de não fazer absolutamente nada? Pois bem, a expressão “italiana dolce far niente” exprime exatamente esse prazer da despreocupação em fazer alguma coisa. Afinal, por mais relaxantes que sejam as práticas citadas anteriormente, às vezes, tudo o que precisamos é dar uma pausa, no sentido mais literal da palavra.
Apesar de parecer a mais simples das práticas abordadas aqui, não fazer nada pode ser bastante desafiador. Isso porque, além dos inúmeros estímulos que precisamos ignorar, a ideia pode trazer novamente a sensação de culpa. Uma vez com essa culpa superada, porém, é fácil praticar o ócio criativo – e passar a viver mais fazendo menos.
Sem confundir o “dolce far niente” com um cochilo, procure se deitar ou se sentar em algum lugar confortável, desligue o celular e concentre-se no que for mais despretensioso ao seu redor: o céu e as nuvens, o transitar das pessoas ou dos carros, o balançar de algum objeto ao vento… simplesmente, deixe-se ser levado.
Fonte:
terça-feira, 12 de novembro de 2024
O BLOG TRAPICHE DO ÓCIO DEFENDE O FIM DA ESCALA DE TRABALHOP 6X1
Se defendemos o ócio criativo, não poderíamos nós, aqui, desse blog destinado à preguiça, nos manter afastados da discussão que toma conta do País, com uma posição firme:
QUANTO MENOS TRABALHO, MAIS CRIATIVIDADE, MAIS QUALIDADE DE VIDA.
CHEGA DE ESCRAVIDÃO!!!
Jean-Baptiste Debret
Leia a matéria a seguir (fonte no final):
FIM DA ESCALA 6X1: O QUE DIZ A PROPOSTA QUE REDUZ JORNADA DE TRABALHO PARA 36 HORAS SEMANAIS
Uma mobilização nas redes sociais em torno da jornada de trabalho está provocando uma discussão para alterar direitos dos trabalhadores previstos na Constituição.
Alguns internautas estão fazendo campanha para que deputados apoiem uma Proposta de Emenda Constitucional apresentada pela deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) que reduziria a jornada de trabalho legal no Brasil para 36 horas por semana. Um abaixo-assinado coordenado por um movimento fundado por um ex-balconista de farmácia já atraiu mais de 2 milhões de assinaturas.
A discussão começou depois de uma campanha mobilizar trabalhadores contra a chamada "escala 6x1", em que se trabalha seis dias por semana para uma folga.
"Se você ainda não sabe o que é essa tal de escala 6x1, ela é uma escala de trabalho permitida pela nossa legislação na qual se trabalha 6 dias seguidos, e se folga apenas um dia por semana", diz Hilton em uma postagem no X.
"Isso tira do trabalhador o direito de passar tempo com sua família, de cuidar de si, de se divertir, de procurar outro emprego ou até mesmo se qualificar para um emprego melhor. A escala 6x1 é uma prisão, e é incompatível com a dignidade do trabalhador."
A redução da jornada de trabalho proposta por Hilton promoveria no Brasil uma escala do tipo 4x3 — ou seja, com trabalho em quatro dias por semana para três dias de folga. A parlamentar defende que isso seja feito sem redução salarial. No entanto, parlamentares e entidades empresariais criticam a proposta, e dizem que ela acarretaria prejuízos econômicos, aumento de custos e desemprego.
Na segunda-feira (11/11/2024), o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, disse que a redução da jornada de trabalho deveria ser tratada por convenções e acordos coletivos de trabalho.
"O Ministério do Trabalho entende que a questão da escala de trabalho 6x1 deve ser tratada em convenções e acordos coletivos de trabalho. A pasta considera, contudo, que a redução da jornada para 40 horas semanais é plenamente possível e saudável, quando resulte de decisão coletiva."
A reação do ministro foi criticada por defensores do fim da escala 6x1 — que pedem apoio direto do governo de Luiz Inácio Lula da Silva à causa.
Entenda abaixo a discussão.
O que é a escala 6x1?
No Brasil, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) estabelece que funcionários não podem trabalhar mais de 8 horas por dias ou 44 horas por semana — com possibilidade de duas horas extras por dia, mediante acordo trabalhista.
A escala de trabalho — ou seja, como essas horas são divididas por dia de trabalho — não é estipulada pela lei.
Assim, as empresas podem definir a escala como quiserem. A escala mais comum é a 5x2 — de cinco dias trabalhados, com dois de folga.
Mas no comércio, por exemplo, uma das escalas mais comuns é a 6x1 — com seis dias de trabalho para um dia de folga.
Há dois tipos de escala mais comuns dentro da 6x1:
7 horas e 20 minutos por dia
ou 8 horas diárias com alguns dias mais curtos, para compensar
Uma das reclamações dos trabalhadores é sobre o dia de descanso — que deveria ser preferencialmente tirado no domingo, para coincidir com o de familiares e amigos — mas muitas vezes é tirado no meio da semana.
Como começou esse movimento?
O fim da escala 6x1 é a principal meta de um movimento chamado Pela Vida Além do Trabalho (VAT) fundado por Rick Azevedo, um ex-balconista de farmácia que se elegeu vereador pelo PSOL no Rio de Janeiro na eleição passada.
Azevedo trabalhava na farmácia em 2023 quando gravou um vídeo que viralizou no TikTok.
O vídeo foi gravado pouco depois de sua chefe ligar para ele em sua folga e pedir que ele entrasse mais cedo no trabalho no dia seguinte.
"Quando é que nós da classe trabalhadora iremos fazer uma revolução nesse país contra essa escala 6x1? Gente, é uma escravidão moderna. Moderna não: ultrapassada", diz Azevedo no vídeo.
"Eu que não tenho filho, que não tenho nada, que sou sozinho, não dá para fazer as coisas. Imagina quem tem filho, quem tem marido, quem tem casa para cuidar".
"A pessoa tem que se doar para a empresa seis dias na semana e só um dia para folgar. E isso por salário mínimo. Gente, não dá."
O vídeo explodiu em visualizações e Rick passou a fazer campanha pelas redes sociais pelo fim da escala 6x1.
Foi criado então o movimento Pela Vida Além do Trabalho, com um abaixo-assinado na internet que já foi assinado por mais de 2 milhões de pessoas.
"É de conhecimento geral que a jornada de trabalho no Brasil frequentemente ultrapassa os limites razoáveis, com a escala de trabalho 6x1 sendo uma das principais causas de exaustão física e mental dos trabalhadores. A carga horária abusiva imposta por essa escala de trabalho afeta negativamente a qualidade de vida dos empregados, comprometendo sua saúde, bem-estar e relações familiares", diz o abaixo-assinado.
O movimento propõe a "revisão da escala de trabalho 6x1 e a implementação de alternativas que promovam uma jornada de trabalho mais equilibrada, permitindo que os trabalhadores desfrutem de tempo para suas vidas pessoais e familiares".
O Congresso vai acabar com a escala 6x1?
A ideia de Rick Azevedo foi levada adiante pela deputada federal Erika Hilton, que em 1º de maio deste ano propôs uma Proposta de Emenda Constitucional.
A deputada afirma ter coletado 134 assinaturas de parlamentares. No entanto, para tramitar no Congresso, o texto precisa de 171 assinaturas.
A mudança proposta pela PEC não fala especificamente sobre a escala. Ela trata da redução da jornada de trabalho semanal.
Hilton quer mudar o artigo 7º da Constituição Federal, que trata dos direitos dos trabalhadores. Hoje a lei diz que o horário normal de trabalho não deve ser maior que oito horas diárias e 44 horas semanais.
A PEC propõe mudar a jornada de trabalho para 36 horas semanais.
"O momento é o de transformar as garantias conquistadas por determinadas categorias profissionais em direito para todos os trabalhadores brasileiros, especialmente, requerendo o fim da escala 6x1 e adoção da jornada de 4 dias no Brasil", diz o texto da PEC, em sua justificativa.
O texto afirma que a redução da jornada de trabalho deve ser implementada sem redução de salário.
Uma redução de oito horas semanais na jornada de trabalho — de 44 horas para 36 horas — implicaria na adoção de uma escala 4x3 para a maioria das empresas.
O que é a escala 4x3?
O texto cita algumas experiências já feitas com a escala 4x3, como um projeto piloto realizado em setembro do ano passado pelas entidades Reconnect Happiness at Work, 4 Day Week Global e Boston College.
"Cerca de 22 empresas com até 250 colaboradores aderiram à iniciativa, em que os resultados do projeto no país, apresentam projeções importantes para a transição das jornadas de trabalho para o modelo de 4 dias, em que é possível observar menor número de faltas dos empregados e produtividade em alta, em razão da adoção de estratégias de organizações funcionais para o modelo da empresa", defende o texto da deputada.
No site do movimento 4 Day Week Global, os organizadores dizem que o projeto piloto teve dados coletados pela Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV-EAESP).
Segundo o movimento, "61,5% dos participantes observaram melhorias na execução de projetos, 44,4% relataram uma capacidade aumentada de cumprir prazos, 82,4% sentiram um aumento de energia para realizar tarefas, e 62,7% experimentaram uma redução no estresse no trabalho".
"Além disso, 85,4% notaram um incremento na colaboração entre colegas, enquanto 65% relataram uma redução na exaustão e 74% observaram uma melhoria na saúde física. Em termos financeiros, 72% das empresas participantes relataram um aumento na receita durante o período do piloto."
Neste mês, o 4 Day Week Global começou outro projeto piloto de seis meses no Reino Unido, em que 17 empresas vão experimentar mudar para o modelo de semana com quatro dias de trabalho.
Quem é contra a redução da jornada de trabalho?
Alguns parlamentares conservadores — como Nikolas Ferreira (PL/MG) e José Medeiros (PL-MT) — e empresários são contra as mudanças propostas na lei.
A Confederação Nacional do Comércio afirma que não é possível reduzir a jornada de trabalho sem reduzir o salário dos funcionários. A entidade representa mais de 4 milhões de empresas, responsáveis por 23,8 milhões de empregos diretos e formais.
"Embora entendamos e valorizemos as iniciativas que visam promover o bem-estar dos trabalhadores e ajustar o mercado às novas demandas sociais, destacamos que a imposição de uma redução da jornada de trabalho sem a correspondente redução de salários implicará diretamente no aumento dos custos operacionais das empresas", diz uma nota da CNC divulgada na segunda-feira (11/11).
A entidade prevê que a PEC provocaria uma onda de demissões no país e possível aumento de preço para consumidores.
"O impacto econômico direto dessa mudança poderá resultar, para muitas empresas, na necessidade de reduzir o quadro de funcionários para adequar-se ao novo cenário de custos, diminuir os salários de novas contratações, fechar estabelecimento em dias específicos, o que diminui o desempenho do setor e aumenta o risco de repassar o desequilíbrio para o consumidor."
O impacto maior seria sentido pelos setores de comércio e serviços que "exigem uma flexibilidade que pode ser comprometida com a implementação da semana de quatro dias, dificultando o atendimento às demandas dos consumidores e comprometendo a competitividade do setor".
sexta-feira, 10 de maio de 2024
CALVIN E HAROLDO
Quem nunca fez ou pensou ou desejou o que o moleque Calvin e seu tigre de pelúcia, Haroldo, estão dizendo e "fazendo"?
Que atire a primeira pedra...
sábado, 4 de maio de 2024
A OCIOSIDADE TEM DE SER ROUBADA
(Johannes Vermeer - a maid asleep)
"É impossível desfrutar completamente da ociosidade se não se tiver muito trabalho para fazer. Não tem graça nenhuma não fazer nada quando não se tem nada para fazer. Então, desperdiçar tempo é meramente uma ocupação e bem cansativa. A ociosidade, como os beijos, para ser doce, tem de ser roubada.“
— Jerome K. Jerome (2 de Maio de 1859 – 14 de Junho de 1927), escritor e humorista inglês, in “Idle Thoughts of an Idle Fellow“ (1886).
A citação original:
“It is impossible to enjoy idling thoroughly unless one has plenty of work to do. There is no fun in doing nothing when you have nothing to do. Wasting time is merely an occupation then, and a most exhausting one. Idleness, like kisses, to be sweet must be stolen.”
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